Viva a história, é você que vai contá-la depois
by Fernando Ribeiro
Você é estrategista de marca. Se não for, finja que é, por alguns instantes. De alguma forma – pense bem – você constrói uma marca. No mínimo a sua marca pessoal. Aí, passo 2: você quer definir alguns pontos, ou ao menos mapeá-los. Em suma, você quer saber mais a respeito de critérios que você considera determinantes para a estratégia dessa marca nos próximos anos. OK? Num terceiro degrau desse raciocínio, especifico uma situação hipotética. Um vetor da projeção dessa marca é a relação da população de cidades pequenas com o aumento do poder de consumo. Você quer saber o que as pessoas estão fazendo com seu crédito e suposta evolução financeira nessas cidades de, digamos, até 30 mil habitantes.

Aí você contrata um instituto de pesquisa pra fazer isso. Porque “é o que se faz” quando se dispõe de alguma verba. E, querendo ou não, o cliente acredita mais em terceiros (ou quartos?) do que no planejamento da agência. Enfim, o trabalho do instituto vai ser mais profundo… Bom, faça isso. Mas aconselho você a ir visitar essas cidades e conhecer as pessoas pessoalmente. E por 5 motivos:
1. As palavras ditas, as expressões feitas e as circunstâncias geram mais insights do que os relatórios.
2. Quando puder, seja mais do que um contratante de pesquisa. Seja mais do que observador, saia detrás do espelho. Faça parte da vida do seu público, sempre que tiver essa possibilidade. Você estará mais próximo da verdade.

3. Planejar passa por gerar alternativas. Não se contente com as alternativas do instituto, mesmo que você as escolha no fim do processo. Quanto mais alternativas nesse momenro de imersão, melhor.
4. O estrategista é também um pesquisador. Não pense que a Era do planejador-pesquisador nas agências acabou. Pode até ter acabado, e que bom ter acabado, pois fazemos mais do que pesquisa. Mas também fazemos pesquisa.
5. Quem vai contar essa história no fim das contas é você. Melhor você ter vivido a história de fato.
